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Quem me dera ser
Outra vez puro
Como minha roupa
De Primeira Eucaristia
Engomada, sobre a cadeira
A me esperar
E quem me dera
Viver
Da escola matinal
À pracinha do futebol
E os brinquedos de cada época
Jogo de petecas
Castanhas
Empinar papagaios
Banhos no Guaribas
O preso
O Judas
O carnaval
O São João
Os passarinhos
As calçadas
Bonecos de barro da olaria
Quem me dera outra vez
Sentir-me pequeno
Ante os três altares da Matriz
Que batizava os recém chegados
E sentir-me minúsculo
Na Igrejinha
Quem chegasse a Picos
Passava-lhe em frente
Quem partisse
Passava-lhe por detrás
Ela abençoava os defuntos
Sob o dobre do sino
Mono
Que marcou os passos
Da procissão
E só silenciava quando
Parávamos no campo santo
O sino não dobra mais
Aquilo tudo
Se foi
No sentido mesmo dos rios
Que descem
Sempre
Enquanto houver água
Marconi Barros





