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Escrevo nesta manhã tão cinza
Acho que meio ensolarada
Talvez escondida,
Meio calada
Uma garrafa quebrada
Um jardim: alma despedaçada
Ouço gritos lá fora
Um cão a latir
Flores desmanchadas
Rasgadas, partidas
Como será a vida?
Às vezes fico a me perguntar
O universo é um outro lugar:
Abrigo de um condenado
Restos de um coração acabado
Como me perco nas gotas desta chuva…
Quem sabe as borboletas não sejam apenas
Moinhos de fantasia
A cada poesia
Possa eu ver-te na melodia
Que meu pensamento escuta
Versos que tento fazer
Vagam na areia infinita
Do outro lado da imensidão,
Onde o sol não brilha
Enterram-se meus pés
Rabiscando um amor que me leve
Deste mundo tão breve…
Como me perco nas gotas desta chuva…





