Eis o enigma da salvação, o segredo da alma
O mistério do perdão,
porque o justo padece até privação de pão,
enquanto o ímpio se alegra
Levando a vida sem regra, na sua dissolução
Numa família de bem, pais e filhos trabalhando
Ano vai e ano vem e os filhos se formando
Quando os pensamentos vêm, faz do mais moço refém
Começam lhe torturando
Sou dono do meu nariz, tenho parte na fazenda
Vou ser um homem feliz, muito longe desta tenda
Vou partir deste lugar, estou farto de trabalhar
Espero que o pai me entenda
Papai me escute agora, disse o moço a seu pai
Trabalhei até agora e já não aguento mais
Me dê a minha herança, porque eu não sou criança
E já passo de um rapaz
O velho pai pesaroso, deixou as lágrimas rolar
Pois sonhando com o gozo, que a vida ia lhe dar
O seu filho não iria, ponderar naquele dia
As voltas que o mundo dá
Deixou o filho partir, com a herança na mão
Porém ficou sem dormir, de tanta preocupação
O meu filho foi embora o que será de mim agora
Feriste meu coração
Enquanto isso o rapaz, já em terra bem distante
Começou sonhar de mais, gastando com as amantes
Batia com a mão no peito, desfruto do meu direito
Diria para as amantes
Muitos dias se passaram, vivendo na regalia
Muitas mulheres andaram, sob sua companhia
Os dias iam passando, o dinheiro se acabando
E ele não percebia
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